segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Sobre (não) procrastinar

Vooolteiii! Como se alguém tivesse sentido falta, neaaam? Quem sentiu fui eu mesma, que sempre ando pensando em alguma coisa para escrever aqui. Eu faço tantos textos mentais o tempo todo, então o blog/Facebook funcionam como um back-up. Preciso descarregar na internet para dar uma aliviada nos pensamentos. 

BOM. Mas aí vieram as férias, depois a (FINALMENTE!) mudança de casa (que, na verdade, ainda está em processo) e eu acabei ficando sem tempo pro back-up. E é exatamente sobre tempo que eu queria falar. Apesar de ter acabado de dizer que eu estava sem tempo, eu me considero uma pessoa que administra bem minhas horas. E eu acho que isso se deve ao fato peculiar de eu não ser uma procrastinadora (pelo menos não no trabalho).

Peculiar porque sou jornalista e, ó, sei muito bem como podemos ser enrolados. Mas em termos de hábito eu sou uma jornalista bem atípica mesmo: raramente tomo café, não fumo, não trabalho ouvindo música (Porque música me faz voar, voar, subir, subir. Melhor evitar) e, definitivamente, não sou enrolada. O que significa: só vou me atrapalhar com prazos de entrega em casos muito extremos. E como eu percebo que muita gente está o tempo todo com a corda do deadline no pescoço, achei que seria legal partilhar um pouco do meu modus operandi

√ Primeira coisa que preciso esclarecer é uma característica muito marcante da minha pessoa: eu não AGUENTO passar muito tempo fazendo uma mesma coisa. Tem gente que fica hoooooras trabalhando em um texto. Pra mim não rola. Já começa a me irritar, começo a tomar raiva do assunto. Solução: preciso escrever rápido. Então escrevo.

√ Mas como escrever rápido? No meu caso é concentrando no texto. Parece meio óbvio, mas não tem outro jeito. Quando eu começo um texto (ou qualquer outra atividade) eu vou até o fim. Não parto pra outra tarefa enquanto não terminei aquela. E por "outra tarefa" entenda qualquer coisa. Por exemplo, eu não paro um texto no meio para responder a um e-mail que pode esperar meia hora pra ser respondido. Claro que não sou tão radical. Às vezes você TEM que parar. Mas quando posso evitar essas pausas, evito. Elas desconcentram e eu nunca retomo o fio da meada com o mesmo gás.

√ Por falar em coisas que desconcentram, já contei que não ouço música e também não fico on-line em nenhum bate-papo (apenas o que eu uso exclusivamente para assuntos de trabalho). Mas claro que não sou um robô. O Facebook faz parte do meu trabalho e é difícil não dar umas escapadelas virtuais com aquela montanha de informações sendo despejadas em cima de vocês. O que eu tento fazer é dar essas escadapadas entre uma tarefa e outra. Assim o cérebro oxigena um pouco e eu não perco meu ritmo.

√ Outra coisa que tento fazer (e que não funcionaria caso eu fosse uma jornalista de redação) é planejar. Boa parte do meu trabalho pode ser planejada, então procuro trabalhar assim, pensando hoje no que eu vou fazer daqui duas semanas. Mas, CLARO, isso seria 50% do meu trabalho. Outros 50% são as tarefas do momento e os imprevistos. Mas como eu me planejo bem, os imprevistos dificilmente causam grande estrago.

√ Faço listas de coisas a fazer durante o dia. Nas semanas em que estou mais atarefada, o prazer da lista aumenta. Na realidade, o prazer de riscar da lista as tarefas cumpridas. Ai, ai, um deleite. 

√ Outra coisa que eu gosto de fazer em dias especialmente atarefados é me impor metas. Por exemplo, determino que tenho o tempo X para terminar a atividade Y. E persigo cada uma dessas metinhas com a obstinação de um atleta olímpico. Parece meio louco, uma certa competição interna, mas se tá funcionando, tá bom. 

√ Normalmente, nas minhas listas existem coisas que eu poderia deixar para fazer amanhã ou depois (afinal, foi tudo meticulosamente planejado). Mas eu não deixo pra fazer depois. Por que? Porque se eu vou ter que fazer de qualquer jeito, do que adianta enrolar? 

√ Eu trabalho em casa. Então preciso resistir às tentações. No começo era um esforço. Agora, depois de seis anos no fantástico esquema de home office já acostumei. Mas falarei sobre isso num outro post. Trabalhar em casa é uma arte que merece um post exclusivo.

Conclusão: pode até parecer meio chato e engessado demais meu método de trabalho. Mas é o que funciona para MIM (já diria a gloriosa Luziana Lanna: "pessoas diferentes, precisam de métodos diferentes"). Como tudo na vida, existe um lado bom e um ruim. O ruim é que - como você não se enrola nunca - pode criar uma falsa sensação de que o que você faz é fácil demais ou de que você trabalha menos que os outros (acontecia demais quando eu trabalhava para terceiros). Afinal, dificilmente eu preciso trabalhar depois do expediente ou no fim de semana. Acontece que eu não posso me culpar por isso. Eu adoro meu trabalho, mas também adoro outras duas milhões quinhentas e cinquenta e seis coisas. O jeito é otimizar o tempo pra caber tanto amor na vida!

UPDATE: Depois que postei, a Eliane me mandou o link desta imagem. O segredo é parar esse ciclo sem fim! (E olha que sou superinternética. Viciada em vários blogs e canais no YouTube. O negócio é reservar tempo pra tudo).