quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Trabalhar em casa




Depois de seis anos vivendo a experiência de trabalhar em casa (um ano trabalhando como funcionária de uma agência e os outros cinco como sócia da minha própria agência), posso garantir que as vantagens são colossais. Algumas empresas já estão com a mentalidade um pouco mais aberta e já aderiram à prática do home office, mas acho que ainda é pouco. Se todo mundo que tem a possibilidade de trabalhar de forma remota o fizesse, o mundo seria um reino encantado. Primeiro e principalmente porque diminuiria consideravelmente o trânsito. E só isso já bastaria para gente amar radicalmente essa ideia. Mas tem mais. Trabalhar em casa potencializa sua qualidade de vida, uma vez que você não precisa se estressar com trânsito, pode acordar tipo cinco minutos antes do seu expediente, pode almoçar todos os dias as comidinhas de casa, e, o melhor, sua casa pode ser qualquer lugar! Você não está obrigatoriamente preso a um ambiente. Eu, por exemplo, estive quase dois anos no Chile, realizando basicamente o mesmo trabalho de sempre. (Claro que meu trabalho envolve outras coisas, como eventuais reuniões com clientes, das quais tive que me ausentar temporariamente. Mas, enfim, o post é sobre trabalhar em casa e não sobre o meu trabalho).

Porém, acredito que este seja mais um daqueles tantos casos em uma grande mudança, depende de pequenas mudanças individuais. Não adianta as empresas mudarem a mentalidade e liberar todo mundo pra trabalhar em casa e a galera achar que é festa. Na minha opinião, essa, digamos, modalidade, exige muito mais disciplina do que os métodos convencionais de trabalho. Afinal, se você se desloca até uma empresa o jeito é trabalhar, né? Já tá lá mesmo. Agora, se você fica no conforto do seu lar, com cama, TV, geladeira, vídeo game e longe do alcance dos olhos do seu chefe é muito mais fácil cair na tentação de relaxar (quando não é oportuno relaxar). Eu nunca tive problemas com isso, pois sempre fui muito disciplinada. Mas estive do outro lado, no lado do contratante, que confia que uma pessoa terá a maturidade para fazer o trabalho em casa e ela simplesmente, por alguma razão obscura, acha que o trabalho é facultativo. Não importa se você não tem que comparecer a um local físico. O trabalho TEM QUE SER FEITO. E, na minha opinião, não interessa quanto tempo você precisará para isso. Se nêgo tiver a capacidade de fazer todas as suas obrigações da semana em apenas uma hora, beleza! Me dá um abraço e vai curtir o resto da sua semana. 

O fato de você fazer seu tempo, inclusive, é outra grande vantagem dessa experiência. Algumas pessoas precisam de mais tempo, outras de menos. Há quem renda melhor de manhã, há quem só funcione à noite. Então é retrógrado que as pessoas ainda estejam batendo cartão em pleno 2014. Mas, sempre voltamos à questão das mentalidades. Ainda precisamos caminhar muito até mudá-las. 

Em primeira instância, temos que mudar nossa própria cabeça. Num segundo momento, mostrar ao mundo corporativo que somos adultos, capazes de lidar com nossos responsabilidades mesmo quando estamos em nossa zona de conforto e, para mim, há também a necessidade de uma educação das pessoas que convivem com quem trabalha em casa. Se você não mora sozinho, existe uma grande possibilidade das pessoas que moram com você não levarem a sério seu trabalho.

Quando comecei nesse esquema, tínhamos apenas um computador em casa. E, nossa, aconteceu N vezes de eu me levantar para ir ao banheiro e quando voltavam - tcharam!!! - meu pai tinha fechado todos os meus arquivos e estava jogando paciência.

Paciência, paciência. Tem que ter muita porque as pessoas vão te interromper pra conversar, vão ligar pra bater papo, vão te visitar, vão insinuar que você não faz nada da vida mas, que se dane, não é mesmo? Quem paga minhas contas sou eu. Com o trabalho que faço em casa. Graças a Deus!