segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Nuvem

Se eu pudesse escolher um poder seria, com toda certeza, o de fazer desaparecer as nuvens negras. No sentido literal? Com certeza. O céu é tão mais lindo quando azul. Mas, principalmente, no sentido figurado. Falo da energia pesada que envolve algumas pessoas, coisa que, de uns anos pra cá, passou a me incomodar bem mais que antigamente.

E eu acho que a culpa é da internet. Porque antigamente cada um que se entendia com sua nuvem dentro da sua casa. E, agora, você liga o computador e lá estão todas as tempestades iminentes poluindo sua tela. As redes sociais, os blogs e afins são as válvulas de escape de 9 em cada 10 pessoas hoje em dia (dentre as quais eu me incluo) e não vejo nada errado nisso. É reconfortante ter a ilusão sensação de que não estamos sozinho. Desabafar sobre algum problema e receber um comentário, uma crítica, uma sugestão de alguém que passou por algo parecido.

Acontece que tudo na vida tem limite e tem gente que abusa desse imenso divã. O limite, no caso, é subjetivo. Tem gente que até gosta de ver o outro reclamando eternamente e vibra com cada pequena derrota alheia. Eu queria mais é que todo mundo fosse feliz. Primeiro porque gente feliz não tem tempo de fofocar, de julgar ninguém, de arrumar briga à toa, enfim, de encher o saco dos outros. Segundo porque eu realmente acho triste ver as pessoas se entregando a qualquer coisa. Encontrando todos os dias um motivo para se sentir o pior dos mortais. E, sério, tem hora que os motivos são tão ridículos que me dá pena. Porque o dia que essas pessoas tiverem um problema de verdade, nem sei. Capaz da nuvem negra virar uma rocha, esmagar o cidadão e não sobrar nem pensamento.

Como lamentavelmente eu não tenho poder sobre a dos outros, só me cabe controlar a minha. Que seja pequena e esporádica. E quanto à nuvem alheia, só me resta torcer pra que nunca vire rocha. Se for pra virar alguma coisa, que seja um lindo balão de gás com a carinha do Bob Esponja. Bem mais legal.