quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Nunca mais

Eu só queria um motivo. Pode ser qualquer um. Falem pra mim que vocês não toleram conviver com pessoas que tem meu corte de cabelo. Que me acham pedante porque falo de livros com frequência. Que entraram outras pessoas nas suas vidas e, por isso, outras tiveram que sair e calhou de eu estar entre as escolhidas. Falem, qualquer coisa. Eu vou achar idiota, estúpido, injusto mas, ao menos, saberei como me defender. Posso até tentar ser uma pessoa melhor. Mas eu preciso saber. Acho cruel ver pessoas saindo da minha vida sem eu ter tido a chance de me explicar, sobre seja lá o que for. Todo mundo merece o benefício da dúvida. Até aquele que comete um assassinato hediondo tem o direito de dar suas versão dos fatos. E eu aqui, sem saber que crime cometi, assistindo de camarote a uma verdadeira debandada da minha vida. 

Por que? 

O que me conforta é pensar que, não importa o que tenha sido dito a meu respeito, não importa quais as artimanhas tenham sido traçadas até chegarmos nessa situação deplorável em que chegamos, se vocês realmente me considerassem como eu os considerava, teriam falado comigo diretamente. Chamar para uma conversa franca é o mínimo que se deve fazer quando existiu alguma relação de afeto em algum lugar do tempo. Nem que fosse para me acusar seja lá do que fosse. Teriam questionado. Teriam me colocado na parede. "Ei, Fernanda, isso que estão dizendo é verdade?". Mas não foi o que aconteceu. Vocês simplesmente assumiram uma versão da história (digo e repito: não sei qual é a versão, mas como poderia saber se nem mesmo sei qual é a história?). E se o fizeram de forma tão natural é porque já existia um desejo secreto de se afastarem de mim. É isso. Essa maluquice tirou da minha vida gente que não fazia a menor questão de estar nela.

E por que eu ainda me importo? Por que ainda acordo no meio da noite ou me disperso durante o meu trabalho procurando respostas? Por que ainda deixo cair umas lágrimas durante o banho? Porque sou idiota é uma hipótese. E quanto à idiotice crônica não vejo o muito o que fazer. Só me resta esperar que essa guerra se dilua com o tempo, que outros acontecimentos venham a ganhar espaço nos meus pensamentos e que um dia eu consiga esquecer de tudo.

Será um trabalho diário pois o rancor sempre foi meu grave defeito. Aliado a uma memória excelente, é praticamente uma arma engatilhada. Não sei como estarei me sentindo daqui um ano, mas suspeito que seja exatamente o que eu sinto hoje:

Uma vontade imensa de nunca mais ter que olhar em suas caras.