quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Todo caminho é caminho



Ocorreu de depois de quase seis horas de viagem, voltando da praia, sermos surpreendidos pelo tombamento de uma carreta na BR. Começava a se formar um antipático engarrafamento (nunca entendi essa palavra. Estamos falando de carro ou garrafas, afinal?). Soluções, só duas. Ou esperar pacientemente a bagunça se desfazer. Ou seguir um pequeno grupo de desertores (meia dúzia de carros) que, seguindo um caminhoneiro, decidiram buscar um caminho alternativo. Como somos mais aventureiros que pacientes, fomos com os fujões. Uma hora e meia de estrada de terra. Definitivamente não era o caminho mais fácil, muito menos o mais curto. Era, porém, muito mais bonito e surpreendente. A cada curva, uma paisagem inesperada. Para quem conhecia cada detalhe daquela BR, percorrida por nossa família há mais de 30 anos, foi prazeroso descobrir lugares por onde nunca havíamos passado e, provavelmente, por onde nunca mais passaremos. 

Claro que agora vem a grande metáfora, porque isso não é diário de viagem. Frequentemente, alguém me sugere que talvez eu esteja tomando o caminho errado na minha vida (não fazem por mal e, muitas vezes, nem percebem que estão tentando interferir no meu rumo). E se a sugestão não vem de fora, acontece de vir daqui de dentro de mim. A minha convicção se faz de desentendida quando estou diante das grandes decisões. O que me salva (e me condena, ao mesmo tempo) é que nenhum pensamento me ocorre sem que haja réplicas e tréplicas (meus neurônios devem ser todos juristas). Dei para me questionar se "ok, suponhamos que eu não esteja no caminho certo", quem definiu que este é o caminho errado? O que é certo e errado, afinal, se não estou violando leis e, analisando de um ponto de vista ético, também não estou deliberadamente prejudicando outras pessoas?

O fácil é o certo. Diz uma música. O certo é o fácil, diz a sociedade. Talvez seja melhor e menos incômodo que eu siga um caminho mais padrão, que eu siga o fluxo simplesmente. Quem anda com a maioria é aceito mais facilmente. Mas eu não quero ser aceita, eu quero ser feliz. Tenha plena consciência de que talvez tenha optado por um caminho mais difícil e mais longo para concretizar coisas importantes que pretendo fazer na vida, mas quem me garante que meu caminho "errado" não me reservas boas surpresas? Se eu não estava feliz anteriormente - se haviam carretas e carretas tombadas na minha estrada - eu precisava recalcular rota. E o farei quantas vezes for necessário.